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Maravilha Americana
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09
postado por Flávia Coelho

Como Capitão América, Chris Evans se transforma de um magrelo patriota numa arma contra Nazistas de destruição em massa. Aqui, numa aventura pervertida como nossa escritora, ele nos mostra como sair à noite, e talvez dominar o mundo

“Peitoral do Chris Evans. Como eles são? Como pedras macias numa loja de souvenir?”

É a mensagem que aparece na tela do meu computador numa manhã de segunda-feira em abril. Meu amigo Kyle me manda um link para uma página de fofocas do New York Daily News: eu estou sendo descrita como uma ‘misteriosa donzela’ que Evans apresentou à mãe na festa de estreia de seu filme; nós seguramos as mãos, o jornal está dizendo, ‘de maneira afetuosa’, e ainda tem mais ‘uma delas está sobre seu peito’. Oh.

Quando eu comecei a trabalhar nesse perfil, eu decidi optar pela abordagem ‘dizer sim a tudo, tentar ser legal’, com a ideia de que talvez conseguisse obter algo verdadeiro sobre a estrela de Capitão América: O Primeiro Vingador – ou com ‘verdadeiro’ como eu esperava que pudesse ser com o tempo que passamos juntos. Mas nos dias desde a minha primeira entrevista com Chris Evans, eu fiquei bêbada embaixo duma mesa, saí escondida da sua casa às 5:30 da manhã, consegui uma carona para casa com uma transexual, fui importunada impiedosamente na frente de sua mãe, e agora isso no papel.

Eu não me lembro de tocar seu peitoral, o que é muito ruim.

Deixe-me começar com nossa entrevista oficial, o que foi um pouco mais profissional e digna. Chris Evans chegou pontualmente ao Sonny McLean, um pub irlandês em Santa Monica escolhido por nenhuma razão além do fato de sermos de Boston, e em Boston há inúmeros bares irlandeses. Ele apareceu com óculos aviadores, uma camiseta vermelha, e um boné de baseball puxado até suas sobrancelhas. “O quão agressivo eu consigo ser?” Chris perguntou. “Doses?” Acontece que o bar só servia cerveja e vinho, difícil, então ele pegou uma caneca de cerveja que o fez se ‘sentir como um viking’. Eu tomei o primeiro de muitos vinhos brancos.

Essa noite foi a sua menos ‘normal’ noite de sábado em Los Angeles. Normal no senso de que em poucos dias ele estaria voando para Albuquerque para a pré-produção em Os Vingadores (no qual, Evans se junta como um super-heroi de um super grupo que inclui Homem de Ferro de Robert Downey Jr. e Hulk de Mark Ruffalo). E normal no sentido de que ele está na metade do caminho de ser um cara famoso, mas ainda capaz de andar na rua com seu cachorro em paz para ser um nome familiar – ou se não um nome totalmente familiar, mas no mínimo um nome familiar como o nome dos amigos dos filhos adolescentes. Ele estava tendo uma festa de despedida e passou toda a entrevista trabalhando nas festividades.

Chris Evans está com 30 anos e é bem bonito de uma forma familiar – meio que o cara mais bonito com quem você estudou no ensino médio e que envelheceu muito bem após a formatura. Seus dentes não são extremamente brancos, suas roupas não são particularmente estilosas. Sua face é bem amigável, mostra os dentes, e é bem mais sorridente do que a cara séria que ele faz nas campanhas de outdoor com Evan Rachel Wood para a nova fragrância da Gucci, Guilty. Também, e a mãe dele vai me matar por dizer isso, mesmo que ele seja um gigante na tela, pessoalmente ele é um cara de altura normal e que ocupa um espaço normal. Sua mãe, Lisa, cuja fraqueza é procurar por mensagens na Internet, disse, “Alguém escreveu no IMDb que ele parecia tão pequeno! E eu fiquei tipo, ‘Ele estava ao lado do Chris Hemsworth (estrela de Thor) – é claro que ele pareceu pequeno! Shaquille O’Neal pareceria pequeno!’ Às vezes, eu fico estressada, porque eu não quero que ninguém diga uma coisa ruim sobre meu filho, então eu ligo para ele e digo, ‘Alguém disse que você parece pequeno!’ e ele me diz, ‘Mãe, você tem de parar com isso, você tem de parar.’ Então, eu tenho tentado parar.” Chris, depois, rindo: “Ela não parou nada!”

Já que nós dois estamos solteiros e na mesma idade, foi difícil para mim não tratar nossa entrevista como um encontro. Surpreendentemente, Chris fez o mesmo, perguntando sobre mim, minha família, meu trabalho e o meu relacionamento mais recente. E em dez minutos ele contou uma piada e colocou a mão sobre a minha, Chris continuou tocando a minha mão e uns tapinhas nas costas, beijando minha mão e joelhos se encostando. Ele é uma estrela de cinema muito atraente, sem reclamações. Eu também não sabia o quanto deveria responder; quando o fiz, parecia como dar em cima do bartender ou confundindo o flerte profissional do bartender com algo a mais. Eu queria pensar que era genuíno, ou que pelo menos parte era, porque eu gostei dele logo de cara.

É nessa parte do perfil de uma celebridade onde eu falo sobre o quanto os olhos da estrela são azuis? Porque eles são muito azuis.

Nós dois bebemos muito e falamos muito. Eu não abri o notebook com as perguntas que eu tinha trago comigo.

“Eu não conheço muitas Ediths”, ele disse.
“Você provavelmente pensou que eu teria 100 anos.”
“Sim, eu ouvi ‘Edith’ e pensei que ela teria uns 60 anos.”

Eu não consegui perceber se ele estava brincando, sendo receptivo, um cara normal ou apenas interpretando o cara brincador, receptivo e normal para encantar a repórter. E num certo ponto (e não sei se isso prova o verdadeiro Chris ou a teoria do Chris ficcional), ele disse: “Eu sempre digo que os momentos na minha vida em que eu me senti o mais feliz são tempos em que eu, por exemplo, vi o pôr-do-sol…”

“Espere.” Sério? “Os momentos da minha vida em que eu me senti o mais feliz são tempos em que eu, por exemplo, vi o pôr-do-sol…”
“Sim, o quê?”
“Isso vai ser a citação principal.”
“O ponto é que quando eu assisto ao pôr-do-sol ou vejo uma cachoeira ou alguma coisa, por um instante, é tão bom, porque por um instante eu estou fora do meu cérebro, e não há nada a ver comigo. Eu não estou tentando entender nem nada, você entende o que quero dizer? E eu me pergunto se eu consigo de alguma forma encontrar uma forma de manter esse estado mental.”
“É para isso que o álcool serve, certo?” Eu disse, o que foi fofo demais e muito presciente.
“Boom.” Batemos as palmas (high-five). É difícil dizer o que ele fez mais: high-five quando ele gostou duma piada dele ou minha, ou fazer gestos idiotas quando ele ficou louco ao ouvi-lo falar.

No bar, nós conseguimos conversar sobre como ele foi de fazer comerciais em Boston a se tornar uma grande estrela de ação em Hollywood. A mãe de Evans cuida do Concord Youth Theatre fora de Boston, onde ele e seus irmãos se apresentaram pela primeira vez. (Seu irmão, Scott, com 27 anos e também um ator, é provavelmente conhecido pelo seu personagem, um policial gay, em One Life to Live.) Chris é o ‘tipo de grande idiota’, sua mãe me disse. “Aos 30 anos, ele ainda sabe todas as letras das músicas de A Pequena Sereia.”

Apesar do teatro para crianças, ele conseguiu estrelar comerciais locais, e quando acabou o ensino médio, ele decidiu tirar um ano de folga para ver se conseguia se tornar um ator. Então ele se mudou para Nova York, e depois para L.A., e … se tornou um ator. Ele teve seu primeiro grande papel aos 20 anos em Não é mais um Besteirol Americano, seguido pelos não tão bem recebidos Nota Máxima e Celular – um grito de Socorro. Ele ganhou a atenção dos tabloides pelo seu longo relacionamento com Jessica Biel, e ganhou a atenção dos fãs com Quarteto Fantástico, a atenção da crítica em Sunshine – Alerta Solar de Danny Boyle, e a atenção dos garotos legais no filme Scott Pilgrim Contra o Mundo. Seu personagem no último filme, um dos ex-namorados malvados enfrentado por Michael Cera para ganhar o coração da garota indie, é todo uma versão cômica com sobrancelhas arqueadas e bajulador e um tom sarcástico.

“As sobrancelhas”, ele disse, com seu sotaque de Boston. “O personagem deveria ser esse ator super ruim e um idiota total, e eu consegui o papel e muitas pessoas ficavam falando, ‘Você é perfeito, você vai arrebentar!’”, ele continuou com sua raiva fingida. “Eu fiquei tipo, ‘então eu consegui esse papel de um ator horrível, e vocês acham que eu arrebentei? Que eu sou natural e que ninguém conseguiria fazer melhor?” Esse é o seu filme favorito: “Foi realmente divertido. E eu amo o Michael Cera. Eu realmente amo. Eu gusto daquele garoto.”

Capitão América exige um diferente tipo de comicidade – uma completa, e quase dolorosa sinceridade. “Isso é o tipo de coisa que pode ficar muito melodramática e muito séria se você não for cuidadoso”, diz o director, Joe Johnston. “Mas Chris lidou com isso perfeitamente, deixando a sombra certa ao transformar um personagem de quadrinhos para carne e sangue.” Chris interpreta Steve Rogers, que é muito magro para se juntar ao exército. Nos estúdios da Marvel em Manhattan Beach, um produtor me mostrou como eles usaram CGI para colocar o rosto de Chris no corpo de um cara bem menor ou, usando o mesmo efeito, para encolher seu corpo, um cara de 1,83m e 81 kg para um cara de 1,60m e 55kg. O patriota fora do peso se voluntaria para um projeto experimental militar ultra-secreto, e Steve Rogers sai da cabine de experimento com um corpo brilhoso e gigante e livre de CGI do Chris Evans. “Seus ombros, seu peitoral, é tudo ele”, disse o presidente da Marvel Estúdios e produtor do Capitão América, Kevin Feige. “Ele tem o físico dos quadrinhos.”

Eu não sei qual a rotina de exercícios de Chris, porque é uma das muitas coisas que eu esqueci de perguntar a ele.

A forma como ele conseguiu o papel foi em si um mini-drama nos fan sites e blogs de filmes. “Depois do primeiro ou segundo round de testes oficiais de tela, minha equipe e eu voltamos e colocamos nossas mãos na cabeça e dissemos: “Vamos olhar a lista novamente. Quem nós perdemos?” Feige diz. “E eu vi a foto de Chris. Tem alguma coisa sobre o Chris. Por que não o trazemos?” Então eles o fizeram, e o amaram, mas Evans não tinha certeza e então eles ficaram indo e voltando por semanas até que ele finalmente aceitou. Como eles o persuadiram a finalmente conseguir o papel?

“Bem, eles não o fizeram”, Evans disse depois dos nossos drinks no pub irlandês. “Eu disse não um monte de vezes, e toda vez que eu disse não, eu acordei na outra manhã muito feliz e contente. Eu continuava dizendo ‘não’, e eles continuavam voltando. E eventualmente eu estava meio que ‘Quer saber o quê? Esse é o seu maior medo – isso e exatamente o que deve fazer.” Ele deu um golde enorme de cerveja no seu copo gigante. “Mas veremos. Eu poderia estar cantando num ritmo diferente em seis meses. É fácil falar todas essas coisas pretensiosas agora.” Ele grunhiu e fez um gesto obsceno. “O problema é que, se o filme é ruim, isso é um dos muitos problemas. Se o filme for bom, acontecem as sequências, e aí vem a merda…” Ele disse, se segurando antes de reclamar, o quê? Brinquedos de ação? Os paparazzi? A atençaõ? “Vamos manter um respeito saudável sobre o que estamos falando aqui” Ele continuou. “É por isso que eu me odeio em entrevistas. Do nada, você para e fica como, ‘Chris, como você ousa? Eu não vivo em Darfur. Eu tenho as duas pernas.”

“Mas você não pode ficar o tempo todo ‘Eu sou tão grato, eu não vivo em Darfur.’”
“Mas por quê?” Ele perguntou.
“Porque você não pode.” Eu disse.

E então eu me perguntei se essa conversa toda foi como um teste para ele, para ver se ele poderia ser tanto o cara normal de Boston e a famosa estrela de cinema de Capitão América ao mesmo tempo, fazer todas as coisas que você faria se não houvesse um gravador entre nós na mesa, e confiar que o seu verdadeiro ‘eu’ normal seria o bastante para fazer apropriadamente o perfil de uma celebridade. Mas ele pareceu um pouco preocupado se eu o faria parecer como um idiota. Eu expliquei que mesmo se ele fosse o maior idiota, eu provavelmente não poderia tratar o garoto da capa da GQ dessa forma. “E se eu dissesse que eu odeio asiáticos?” Ele continou. “Brincando, brincando. Essa é a frase: ‘Chris Evans odeia asiáticos.’”

Eu o assegurei que ele não tinha com o que se preocupar.

“Está tudo correndo bem?” Ele perguntou.
“Está indo muito bem.” Eu disse.
“Estou arrebentando?”
“Você está arrebentando.”
“Você está arrebentando também.” Ele disse. “Eu vou escrever um artigo sobre você.”
“Eu não sou um fumante.” Ele disse uma hora ou duas depois da nossa entrevista, “E eu não tenho cigarros. Mas eu tive essa cerveja gigante…” Quando ele voltou para mais um round – uma caneca enorme nas suas mãos enormes de Capitão América, e meu vinho branco na outra – ele parecia ter se chateado no bar.

Apesar de eu não fumar, sim, eu me juntei a ele do lado de fora, e eu posso dar um trago? Talvez eles façam cigarros diferentes em L.A.., mas quando você divide um com uma estrela de cinema, eles são ótimos. Todos deviam tentar.

Apesar da agente dele especificamente dizer a ele que não, ele me convidou para sua festa de despedida. “Minha pobre agente”, ele disse. “Ela sabe que eu gosto de beber. Ela está sempre dizendo, ‘Por favor, não beba muito, por favor, só não beba muito – você vai levar essa pessoa para sair, e eles vão te arruinar.’”

Nós estávamos a caminho separadamente para o jantar primeiro. Eu disse que chamaria um taxi, mas Chris riu e insistiu que seu motorista me levaria de volta ao hotel.

No banco de trás, Chris flertou ainda mais que antes, tocando meu braço e meu joelho. Nesse ponto, que foi após inúmeros drinks, estava fácil esquecer que aquilo realmente era uma entrevista, e que eu estaria mentindo se não tivesse passado pela minha mente que algo poderia acontecer (e nós iríamos ao Oscar, nos casaríamos e teríamos bebês e ficaríamos juntos até morrermos?). Mas sempre há a questão do quão verdadeiro é Chris Evans, e quem eu deveria fingir ser como resposta.

Então eu me controlei, decidi que ser ‘boa repórter’ era uma maneira esperta para tentar por alguns minutos, e corri para as perguntas fáceis que eu tinha me esquecido de perguntar a ele no bar. Ele criaria sua família em Boston? “Absolutamente.” (Ele acabou de comprar um apartamento lá.) Qual seu tipo favorito de música? “Rock clássico.” Qual era a estação de rádio favorita ao crescer? “Eu era um grande…” E antes que ele pudesse acabar, eu disse: “JAM’N 94.5?!” (Essa é a estação que toca hip-hop, e a minha favorita, então eu estava esperando…)

“BALTAZAR AND PEBBLES!”, ele disse instantaneamente numa perfeita – perfeita – imitação dos DJ’s da rádio dos anos 90. Você tinha que estar lá, eu acho, e você também tinha de ser de Boston e familiar com as rádios. Mas ainda assim!

Algumas horas depois, eu fui para o Voyeur. O lugar estava escuro, barulhento, com algumas mulheres seminuas segurando os capacetes de storm-trooper dançando num palco e parecendo coloridas, e pessoas muito bonitas de idades indeterminadas estavam no local parecendo entediadas. Eu não consegui achá-lo, então fui ao bartender e disse, com aquela que eu costumo pensar que é minha expressão de ‘séria’ e pela qual eu sou grata por nunca ter visto, “Hum, eu sou uma jornalista escrevendo o perfil de uma celebridade que está nessa boate, e estou procurando por ele? Você viu, hum, Chris Evans? Há, tipo, uma área VIP?” Na minha mente, aparentemente, funcionários de boates em West Hollywood recebiam informações automáticas onde e quando as celebridades estavam. De qualquer forma, ela não tinha ideia e também não se importou nem um pouco.

Eu procurei em volta em meio a todo aquele barulho e dos globos de luz até que Chris saiu do meio da multidão. Ele tinha trocado sua camiseta vermelha por uma branca idêntica, apesar do seu boné preto ainda estar puxado para trás. Ele me deu um beijo na bochecha e me levou à mesa. Seus amigos mais próximos são do ensino médio, ou pessoas que ele conheceu em L.A. quando ele veio há 10 anos atrás e que já deixaram a indústria do entretenimento. Eu sentei no sofá e ganhei um sorriso de uma de suas amigas e seu namorado. As próximas horas se passaram assim. Havia uma troca de gritos entre os amigos de Chris. “Eu sou de Nova York.” “Nova York?” “Não, Nova York.” Havia algumas visitas intermitentes de Chris para apertos de mão e beijos na bochecha entusiasmados, que pareciam bem menos como flertes do que exagero de álcool, mas ele parecia fazer questão de ter certeza que as pessoas não parecessem entediadas e estava sempre tomando conta de alguém e nunca sentando sozinhas.

Infelizmente para mim, foi só por água abaixo a partir daqui.

Cinco dias depois, em Nova York, Chris Evans está me envergonhando na frente de sua mãe. “Edith foi martelada!”, ele diz. “Martelada!” Seus amigos, famílias e eu estávamos todos numa monstruosa SUV, saindo da première do seu mais recente filme, um drama sobre advocacia, Código de Honra, para a festa no Lower East Side. Ele trocou seu uniforme de camiseta e boné de baseball por um figurino de super estrela, com um terno azul e gravata, e eu estou esprimida entre ele e seu amigo Zach no banco traseiro. Mesmo com a luz do carro e após horas de bebedeira, a pele de Evans parece limpra e fresca, seus olhos estão ainda mais azuis e vívidos. “Nãããão”, ele diz. “Oh, mas você estava!”, ele insiste. “Por favor, por favor, não!” Eu pedi, fechando meus olhos. Mas ele continua e, alto o bastante para o carro todo ouvir, volta a contar a história humilhante do que aconteceu na boate.

Até meia hora antes, eu não sabia o que realmente tinha acontecido. De fato, eu gastei toda a semana praticando perguntas de forma que soasse normal, como “Para verificação dos fatos, você poderia me recapitular o que nós fizemos depois da boate em uma ou duas frases?” Exceto que quando eu finalmente fiquei sozinha com ele, o que realmente saiu foram falas parecidas com: “Oh, meu Deus, eu estava horrível, o que aconteceu, e por que eu estou sempre tão bêbada?”

Ele riu. “Você não se lembra?”

(Foi por aí que nós fomos flagrados pelo jornalista de fofoca que eu não sabia que era um jornalista de fofoca, ou eu não teria explicado a ele na volta do banheiro como o Chris tinha flertado e que eu tinha ‘a maior queda por ele’ Haha. Oops!)

Então a história da minha noite de sábado perdida, que Chris me contou sozinha e depois para todos no carro: Depois da boate, ele e seus amigos e eu voltamos para a casa dele. E aqui é onde eu descrevo a casa dele, exceto… Que eu não me lembro de nada disso. Era definitivamente…Limpa. E espaçosa. Mas confortável, não muito estilosa. Havia coisas nas paredes. Coisas em molduras. Fotos. Havia… tapetes? Me desculpe. Eu sinceramente queria que eu me lembrasse disso melhor. Definitivamente tinha uma mesa de sinuca, porque em algum momento, aconteceu uma espécie de competição de ‘pular sobre a mesa de sinuca’, não que eu tenha alguma lembrança do que aconteceu. No carro, Chris aproveitou para explicar a todos que em algum momento eu decidi sair pela janela e ver como estava noite. “Então, meus amigos ficaram, tipo, ‘Acho que sua amiga está com algum problema’, Chris diz, “E olhe, a Edith está na sarjeta!” (Não deitada sobre a sarjeta. Isso eu lembro. Sentada na calçada, tentando e falhando ao pedir um taxi.)

Então ele me levou de volta para sua casa, me colocou num quarto de hóspedes para dormir, e disse que me levaria para casa de manhã. E no espaço de dez horas, nós passamos da fase de completos estranhos para pessoas que dormem um na casa do outro – exceto, de novo, que ele não poderia me expulsar, porque depois eu diria, “Chris Evans me expulsou de sua casa” aqui no artigo. Nós éramos amigos, em outras palavras, mas não tão amigos. Quando eu acordei às 5:30 da manhã, eu saí sorretairamente pela porta da frente, pesquisando no Google, por ‘taxis em LA”, “taxis em Los Angeles”, “me ajude California” no meu celular. E eu ainda estava meio bêbada e não tinha ideia onde eu estava, mas havia algo calmo sobre o ar pesado e a névoa e os pássaros cantando e meu saltos estalando. Nenhuma companhia de taxi respondeu, e nenhum taxi veio. Mas eventualmente, uma transsexual asiática, loira e muito bonita com seu amigo muito mais novo encostaram e perguntaram se eu estava bem, ao invés de me estuprarem e me matarem, foram bem gentis e me levaram de volta ao meu hotel.

No SUV, Chris disse que sair pelas janelas é algo que ele consegue se ver fazendo. Sua mãe me falou sobre os ombros do banco da frente que isso foi minha ‘iniciação’.
Na festa no Thompson LES Hotel, Chris me conta que eu deveria assisti-los filmar umas cenas extras do Capitão América na Times Square em alguns dias. Eu tive a impressão de que isso nunca aconteceria e, de fato, não aconteceu. Ele está circulando de grupos em grupos, rindo, interagindo, conversando um pouco e sempre voltando para mim… eu não sei para quê. Ele ainda flerta, mas se é manipulador, se não é sincero, se o sentimento é genuíno, calculado ou algo familiar e confortável – mesmo que seja um pouco estranho considerar o que é real e o que não é. Mas depois de certa hora da noite e independente do copo de vodka com cranberry oferecido na festa, eu estou muito cansada para continuar com ele ou tentar descobrir se foi um jogo ou não. Nós nos abraçamos e eu me vou.

“Não se torne uma estranha”. Ele me mandou numa mensagem no outro dia. E nós nos tornamos amigos no Facebook.

Uma outra coisa que eu deveria mencionar sobre Chris Evans: Ele é a pessoa mais incrível que eu já conheci na minha vida, e isso é o que eu falei para ele que eu diria nesse artigo para que ele me devolvesse a minha jaqueta que esqueci na casa dele, e ele devolveu.

Tradução: Tássia Cintra.
Créditos: Chris Evans Brasil.

TIFF 2014, Chris Evans responde suas perguntas
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09
postado por Flávia Coelho

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TORONTO – Com o seu novo filme “Before We Go” Chris Evans é ator e diretor. Na última semana, nós pedimos aos leitores o que queriam perguntar ao Sr Evans, que estará na première de Quinta de seu novo filme. Ele sentou-se conosco para responder um número selecionado de perguntas sobre sua vida e carreira. Aqui estão as respostas:

Q. Então, você expressa muito como o teatro fez parte da sua família e como isso te formou/inspirou para continuar atuando. Você consideraria fazer uma produção na Broadway ou fora? – Marisa, Mount Vernon, NY.

A. Sim, com certeza. Eu gosto de novas coisas. Essa é uma das partes que gosto de dirigir. Gosto de criar coisas. Sou de Gêmeos. Estou sempre a procura de algo novo. E certamente sinto falta do teatro. Então quem sabe o que o amanhã trará?

 

Q. Há um tipo de personagem ou filme que você ainda não explorou e o que seria um desafio para você? – Joane Lamoureux, Montreal.

A. Sempre quis interpretar alguém que fosse muito verbal. Eu realmente gosto de pessoas que tem o dom de falar. Gosto de personagem que são muito eloquentes, articulados e confiantes no que estão dizendo. Especialmente vindo de Capitão América, que é muito fechado e intimidador. Eu adoraria interpretar alguém que usa suas emoções como uma culpa.

 

Q. Minha questão para você é do meu filho de 13 anos, Ryan. Ele está muito envolvido numa peça da sua escola para seu terceiro ano. Ele ama, mas toda as vezes que começam os diálogos ele fica nervoso e quieto e vermelho. Mas as próximas linhas ele fica dinâmico. Somente a primeira linha que o pega. Qual conselho você daria a ele para que esse primeiro momento de nervosismo passasse? – Ally Woods, Fort Worth.

A. Se você começar a se importar muito com a primeira linha estará com problemas. Para mim, eu tento e diluo a experiência inicial. Então se faço coisas que gosto como um programa de TV, nos bastidores eu tento encontrar a conversa com as pessoas e iniciar um comportamento, tudo é requerido de mim no palco, antes de entrar.

 

Q. Qual foi o personagem mais desafiador que você interpretou? – Dani, Cardina, Brooklyn.

A. Eu diria Capitão América porque ele não é como eu. Sou muito correto e solto. Muito honesto. Sou bem aberto. Capitão América é muito fechado. Ele luta em algumas situações. Eu também luto em algumas situações. Mas na maioria das vezes, eu acho a paz sendo agressivamente honesto. Acho que Steve Rogers não está no caminho.

 

Q. Como diretor, como você sabe quando o script está pronto para filmar? – Deanna Salas, Chico, Calif.

A. Você nunca sabe. A coisa engraçada sobre dirigir é que você que ter suas próprias opiniões, mas é uma colaboração. Dirigir é um esforço em grupo. Mesmo quando você pensa que algo pode dar certo, a coisa mais inteligente que você pode fazer é tentar e estar aberto para opiniões de pessoas que estão ao seu redor.

 

Q. Qual filme que você tenha atuado que está na sua lista de queria ter dirigido? – Emily Wright, UK.

A. Talvez “London”?Eu fiz um filme chamado “London”. E não desrespeitando Hunter Richards. Eu amo o Hunter. Mas foi um daqueles filmes que eu respondi como ator e eu adorava o elemento verbal. Na minha cabeça, eu tinha uma forte interpretação de como eu pensava onde o filme iria. De novo, não por que eu achava que Hunter havia feito algo errado, mas porque eu tinha uma conexão profunda com o personagem e o diálogo e isso deve ser uma experiência engraçada para explorar como diretor.

 

Q. Você gostou do processo de dirigir e qual foi o seu momento mais memorável? – Caprice Phillips, Little Rock.

A. Eu diria que o primeiro dia de filmagens e vendo o quadro com o nome nele. Dizendo “ação” e dizendo “corta”. Foi maravilhoso e intimidador.

 

Q. Quais histórias pequenas que pegaram a sua atenção como material que você godtaria de dirigir vs o material que queria atuar? – Michelle Buchman, Boston.

A. Eu gosto de histórias humanas. Gosto de histórias sobre situações que nós podemos nos relacionar. Gosto de filmes como “Pessoas Ordinárias” ou “Laços de Ternura”. Mães e filhas, pais e filhos, namorados e namoradas. As histórias para mim que valem a pena são as mais simples, mas muito relacionáveis.

 

Q. A experiência de dirigir é mais libertador ou mais aterrorizante do que atuar? – Natalie Foote, Reading, UK.

A. Os dois. Está além de aterrorizante. Há um milhão de razões para ser de dar medo. Mas é inacreditavelmente libertador porque é o seu projeto. Todas as decisões estão ligadas a você.

 

Q. Qual é a sua cena favorita do filme? – Eva Y., Germany.

A. Bem, sem estragar muito, eu gosto da nossa cena final junto. É mais fácil de entender do que o filme diz e mostra a bela relação entre os personagens.

 

Tradução: Sammy Martins.

Créditos: Chris Evans Brasil.

Chris fala sobre sua estréia na direção, Before We Go, filmando em Nova York e Os Vingadores 2
11
09
postado por Flávia Coelho

Há algo muito aterrorizante no mundo do cinema quando se trata de dirigir seu primeiro longa-metragem e liberá-lo para que um bom número de pessoas possam assisti-lo. Esse medo se multiplica em vários graus quando você já é um grande astro do cinema. Esse é o cenário em que Chris Evans se encontra com “Before We Go”. O filme – que estréia no Festival Internacional de Filmes de Toronto deste ano – conta história de um jovem casal em Nova York.

Quando Abby (Alice Eve) é roubada e perde o trem de volta para Boston, ela se encontra presa na cidade, sem dinheiro e sem ninguém para pedir ajuda. Por sorte, ela conhece Pete (Chris Evans), um músico batalhador que decide ajudá-la e levá-la de volta para casa. Eles acabam passando o resto da noite vagando ao redor da cidade, discutindo suas vidas e relacionamentos.

Pode parecer estranho que um homem mais conhecido por seu trabalho em filmes de super-heróis escolheu uma comédia romântica para sua estreia como diretor. No entanto, como explicou Evans durante a nossa entrevista, ele é um grande fã do gênero e respondeu bem ao roteiro, que foi escrito por Ron Bass, mais conhecido por escrever o roteiro de “Rain Man”.

Evans está animado por ver que o produto final está finalmente começando a fazer o seu caminho na frente do público. (O filme foi rodado em dezembro do ano passado, antes de Evans começar a filmar a sequencia de “Os Vingadores” – “Os Vingadores: Era de Ultron” – que estreia mundialmente em 2015.)

Abaixo, Evans falou sobre quando ele decidiu que queria dirigir um filme, o quão difícil foi filmar em Nova York, e como se sentiu voltando a atuar depois que ele terminou de dirigir “Before We Go”.

Parabéns pelo filme. Estou certo que dirigir seu primeiro longa-metragem pode ser um…

[Faz barulho de vômito] Obrigado, cara.

Realmente é intimidante estar falando sobre isso, porque eu estou tão acostumado a ser um ator, onde seu trabalho é apenas uma parte do quebra-cabeça.

A carga não fica sobre você.

É. É tipo, eu fiz o meu trabalho. Se eu não gostarem do filme, não é culpa minha. Mas, desta vez, se não gostarem do filme, será minha culpa [risos].

Você fez diversas sessões de teste para este filme. Como foi isso pra você? Eu presumo que não são divertidas, especialmente para um diretor estreante.

Eles (as pessoas) foram bem (no teste). Mas é emocionalmente desafiador. Você tem que fazer uma leitura completa das coisas, algo que faça você ficar tipo “Oh Deus! Isso é ótimo!”. Estou certo de que todos os filmes que fiz teve várias sessões de teste. E eu tenho certeza que já foi escrito muita coisa horrível sobre mim nesses testes. Mas, estar do outro lado e fazer um processo assim é complicado. Você tem que ver os atores por completo, analisar direito e isso é difícil.

Quando foi que você decidiu que queria começar a dirigir?

Eu diria que desde sempre. O que pode não ser a declaração mais precisa…

Antes de atuar?

Não, não. Não antes de atuar. Eu vou dizer inicialmente que atuação foi o meu primeiro amor e isso é o que eu sempre persegui. Mas no meu primeiro dia em um set de filmagens, eu fiquei observando como as coisas eram criadas. Eu apenas disse: “Eu acho que eu quero estar no comando”.

Eu sou um pouco de um maníaco por controle. E quanto mais filmes eu fiz, mais experiências tive como ator, eu fui vendo como funcionava e depois que você termina o seu trabalho, você vai embora e só depois de seis… de oito meses você vê o produto final. E um monte de vezes para mim, foi como: “Não, não é isso que eu pensei que ia ser”.

Porra! Isso é decepcionante. Eventualmente, eu cheguei a um ponto em que eu queria assumir o controle, porque eu leio o roteiro e eu gosto de imaginar o filme em minha mente. Você aceitar fazer um trabalho e só ver o produto final é muito diferente de fazer um filme. E em situações como essa (de só ir atuar e depois ver o produto final) você pensa: “Cara, eu acho que se eu estivesse no comando eu poderia ter feito um filme melhor.” Isso obviamente é uma coisa MUITO arrogante de se dizer, então você só pensa. Até porque a dificuldade de se estar à frente de um filme é muito grande.

Bem, você também precisa de alguma arrogância se você quer ser um diretor.

Sim, você precisa de arrogância em qualquer empreendimento criativo.

Exatamente.

É. Eu só cheguei a um ponto em que parte de mim pensa que eu poderia contar uma boa história. Mas mais do que isso, eu tenho fome para algo diferente. Eu só queria tentar algo diferente. Mesmo crescendo como ator, eu sempre gostei de criar coisas em qualquer área. Seja construindo alguma coisa em casa, escrevendo uma música ou fazendo um desenho.

E atuar é como jogar um esporte. Você pode fazer isso diversa vezes, mas é algo intangível. Então, quando ele (o filme) está pronto, não há realmente nenhum produto tangível para você, porque alguém está capturando tudo aquilo e transformando em algo tangível, não você.

Enquanto você está atuando essa experiência é maravilhosa enquanto está acontecendo. Mas depois que acaba e você vai embora, alguém se encarrega de transformar isso em algo. E mesmo quando você assiste o filme mais tarde, você fica tipo: “Ok, eu acho que eu fiz esse personagem”.

Gosto da sensação de fazer as coisas. É muito, muito gratificante. E o cinema te dá esse tipo de experiência, você é forçado a colaborar com tantas pessoas. Quando é algo seu você está envolvido do início ao fim, você está envolvido com tantos elementos, e quando acaba, você fica com a sensação de: “Eu fiz esse filme”.

Seu personagem no filme é um trompetista. Você sabe como tocar trompete agora?

Não, eu sou um lixo. Que porra de instrumento difícil!

Você fez um bom trabalho dublando ele no filme!

Sim [risos] nós literalmente contratamos um trompetista e nós demos algumas músicas para ele tocar. Filmamos seu dedilhado. Então eu memorizei seu dedilhado. Eu estava tipo: “eu vou fazer o dedilhado com precisão”. Porque a ideia inicial era que eu realmente tocasse e… shhhhh. Eu sou péssimo! E eu realmente tentei, mas soou como um gato morrendo.

Outra observação: Eu não sou um fã de Boston, em nenhum dos meios esportivos, mas eu sempre aprecio quando um diretor é capaz de fazer tão bem uma referência para a sua equipe favorita, como você faz com o título do Red Sox no filme. (nota do CEBR: Red Sox é um time de beisebol da MLB – Major League Baseball – liga profissional de beisebol dos Estados Unidos. O Chris é torcedor desse time e o Red Sox foi campeão da MLB em 2013)

[Sorri e começa a bater palmas] Você tem que apreciá-los!

Então… Nova York não é exatamente o melhor lugar para filmar, particularmente em sua estreia como diretor.

Defiitivamente não. Esse foi o nosso maior desafio. Se eu quiser continuar dirigindo, já avisei para a mim mesmo que: “Na próxima coisa que eu fizer, não será em Nova York”.

Porque o problema com Nova York – E eu amo Nova York, é um belo lugar – é que é muito grande e caro.

Fomos filmar no Grand Central [Estação de Trem] e lá é enorme. Tivemos dois dias disponíveis para filmarmos lá, então filmamos o início e o final do filme nesses dois dias de filmagens. E foram meus primeiros dois dias dirigindo! E meus produtores deixaram bem claro: “Temos dois dias! É melhor você conseguir tudo o que você precisa!”. Então você fica estressado pra porra. Filmamos durante 19 dias seguidos em alguns pontos da cidade. Seria bom ter um pouco mais de tempo, seria bom ter um ambiente onde todos os dias não fossem tão caros. Foi tudo muito caro. Se não gravássemos tudo que era planejado para o nosso dia em Nova York, iríamos começar a ultrapassar o orçamento. Portanto, no meu projeto seguinte seria maravilhoso filmar em algum outro lugar, tipo, sei lá… Louisiana.

Eu li que você fez a primeira edição deste filme no iMovie.

É. Bem, em primeiro lugar, o iMovie é foda, é fenomenal! Terminamos o filme antes do Natal, eu deveria começar a edição em meados de janeiro, só que acabei tendo que deixar para meados de março. Então, nós tivemos oito semanas para editar. E eu tinha alguns produtores que foram simpáticos comigo, e eles me falaram: “Escuta, é um período muito curto de tempo. Você está pronto para correr?” E eu: “O que? Eu vou fazer essa merda.”

É a sua visão, você pode muito bem editar da forma que achar melhor.

Sim, é isso mesmo. Eu fui no YouTube e literalmente procurei “Como usar o iMovie”, lá. Eu aprendi a usar o iMovie na porra do YouTube! E, na verdade, não foi tão difícil. Eu conversei também com um dos editores do filme através do Skype, e ele é um grande cara. Me ajudou muito.

Enquanto filmava a sequencia de “Os Vingadores” Joss Whedon te deu alguma dica?

Não, ele não deu dicas. Nenhum diretor pode dar dicas. É como perguntar o que fazer a um ator. Não dá para dar dicas. Porque você não pode dar dicas de como atuar para alguém. Você pode dar dicas sobre como se comportar em cena. Então, eles não poderiam me dizer como direcionar. Edgar Wright é um bom amigo meu e ele me disse: “Ouça, busque um aconselhamento. Não esqueça das pessoas ao seu redor e o que eles estão fazendo. Estas são as pessoas que fazem isso para ganhar a vida. Se aproxime deles. Use os seus conselhos. Não deixe seu orgulho transformar essa experiencia em uma ilha [ou seja, não deixe o orgulho te isolar das pessoas, impedir que você aprenda com elas]”.

Foi estranho voltar a atuar novamente logo após ter dirigido um filme?

Hum, sim! Boa pergunta! Ninguém tinha me perguntado isso.

[Risos] Eu tento.

É horrível. Porque você volta e você [risos]… você só percebe quantas discussões teve como diretor e produtor sobre os atores. E de repente você está em “Os Vingadores” e você não está ciente de que você é um ator até que alguém esteja corrigindo o que você faz. E é intimidante, por isso é um pouco complicado voltar ao normal e tentar manter a mesma sensação de confiança.

Como você continua fazendo filmes da Marvel, você não se preocupa com a expectativa do público que aumenta em cada filme e se será atendido o que o público quer?

Bem, felizmente, não é o meu trabalho! Como diretor, quando você volta a atuar, você fica: “Oh tudo o que tenho a fazer é atuar?! Boa sorte para eles! [os diretores] Vou estar no trailer!” Isso é uma coisa boa de estar só atuando. Eu não preciso me preocupar com isso. Claro que, obviamente, eu me importo, mas quando você está fazendo um filme tão grande quanto “Os Vingadores”, há um grande número de pessoas na equipe do filme que estão muito preocupadas com essas expectativas do público, porque esses filmes são feitos para satisfazer o público. E em filmes assim, você praticamente não quer ficar no caminho.

É uma máquina enorme.

Sim, é uma máquina enorme. E se você começar a ficar no caminho e dizer: “Bem, é isso que eu quero!”, sem fazer um levantamento do que o público quer, eles [a indústria cinematográfica como um todo] te dizem: “Cale a boca!”. Eles sabem o que estão fazendo, e seu trabalho é apenas para executar tudo o que lhe pedem.

Tradução: Sonia Cury.

Créditos: Chris Evans Brasil.

Verdadeiro ou Falso, Chris Evans é como seu personagem, Capitão América de Era de Ultron
11
09
postado por Flávia Coelho

O ator fala sobre seus códigos morais, sua amizade com Thor e sua preparação para Guerra Infinita.

A liderança de Vingadores: Era de Ultron se parece com a coisa mais falada da vida de Chris Evans. Interpretando o Vingador líder nobre e dono do escudo foi a parte fácil: de acordo com a estrela, um dia de 14 horas no set de Era de Ultron resulta em apenas sete horas de trabalho válido. Mas é a divulgação para imprensa – um esforço global para lembrar o público que a Marvel permanece como a rainha da temporada de verão (norte do mundo) – que o incomoda. Felizmente, Evans é um soldado. Durante um momento num evento de fãs no Estúdio Samsung Galaxy em Nova York, nós encontramos o ator todo composto, amigável e com sede de um suco de frutas, o que ele pediu com um sorriso. Se esse cara tivesse fadiga, ele não apareceria enquanto Vingadores dominasse a bilheteria norte-americana.

O que nos faz perguntar: é preciso ser um Steve Rogers na vida real para interpretá-lo na tela? Para descobrir, nós fizemos uma conferência da vida de Evans com as características do Capitão América.

Evans compartilha da mesma moral de Steve: verdadeiro
Você espera ver algumas qualidades de Steve em você. Ele deixa o nível muito mais alto. Toda vez que você faz um filme onde você está num certo lugar por um longo período, é difícil não pegar um pedaço para você. Algumas vezes é melhor do que outras. Se você acabar levando um pouquinho do Steve para casa com você, isso não é a pior das coisas. É quase como crescer com meu pai. Sempre que havia um conflito, seja entre um amigo ou uma namorada, ou profissionalmente, você pensaria, ‘O que meu pai faria nessa situação?’ Numa posição estranha e similar, você meio que diz a si mesmo, ‘O que Steve faria nessa situação?’, porque seus valores morais e sua abordagem para resolver conflitos, baseado em generosidade é um lugar muito saudável para começar. Eu nem sei se ele tem boas maneiras – ele é apenas um homem bem generoso. Você entende o que eu quero dizer? Ele não reclama, se coloca em último lugar, ele apenas faz o que é preciso que ele faça.

Ele vive pelas regras ‘sem palavrões’ do Capitão: Falso
Eu realmente tenho uma boca bem suja. Eu sou de Boston. Esse é o tipo de estilo de vida lá. Eles são pessoas bem expressivas.

Quando ele não está trabalhando, ele revive seus bons tempos: Verdadeiro
Eu sou muito nostálgico. Quero dizer, eu vivo do passado como uma falha. Você tem que se manter no presente. O passado é passado, mas se você analisar demais ou tentar repeti-lo, será horrível. Eu tive uma adolescência maravilhosa e eu amei cada minuto, então eu realmente me apego a isso. Ao crescer, eu realmente gostava de Star Wars. Teria sido bem legal ter conhecido Han Solo. Mas minhas coisas eram muito pequenas. Eu assistia ao Pernalonga.

Ele foi feito para sobreviver a um ataque iminente: Falso
Eu nunca levei um soco, felizmente. Algo me diz que Steve aguentaria isso melhor do que eu.

Vermelho, branco e azul são suas cores favoritas: Verdadeiro
Você sabe, é tão infeliz – elas são as minhas três cores favoritas para vestir. Umas duas vezes, por acidente, eu fui me vestir e quando dei o primeiro passo na rua, eu fiquei, ‘Espere um pouco. Não posso vestir isso. Vestir calças azuis, camiseta branca e boné vermelho. Isso é um pouco ridículo. Eu provavelmente vou me trocar’.

Tecnologia o assusta: Falso
O que as pessoas faziam antes dos celulares? Liam um livro? Se eu estou preso no carro e não tenho meu celular, eu fico, ‘O que estou fazendo?’ Corridas de carro costumavam ser uma das minhas coisas favoritas. Se estou com meu celular, estou geralmente lendo alguma coisa sobre esportes ou alguma coisa estranha sobre ciência. Eu sou um grande fã do espaço. Eu gosto de astronomia. Há sempre algo acontecendo.

Thor é seu melhor amigo: Verdadeiro
Oh, sim, Chris Hemsworth é como um irmão a esse ponto. Nós temos uma trajetória semelhante, no mínimo, em relação a ser introduzido nesse mundo. Nós dois pegamos esses papeis de super-heróis da Marvel. Nós dois somos tímidos e nervosos e não sabemos como as coisas vão funcionar. Tem sido legal compartilhar isso com ele. Nós também temos nossos filmes solos, o que pode ser um elemento de pressão e ansiedade, e ele tem me ajudado bastante. Apenas ter alguém que passa pelas mesmas dificuldades como eu.

Toda aquela história de ‘aventura solo’ não o afeta: Meio verdadeiro
O primeiro filme foi o mais intenso, porque você não sabe como o personagem será recebido, você não sabe como você será recebido ao interpretar o personagem. No segundo, há menos pressão, mas novamente, você não quer ser a parte fraca da corrente. A Marvel tem uma reputação de fazer filmes de qualidade, você não quer ser o ruim. Mesmo os seus piores filmes são melhores que qualquer outro estúdio faria. Só pode ser ruim para a Marvel.

A vida dele está planejada até 2019: Verdadeiro
Você sabe, você se planeja todo de acordo com as responsabilidades com a Marvel. Você tem que fazer isso. Nós começamos Capitão América: Guerra Civil em algumas semanas, e depois as filmagens vão até agosto, algo assim. Agosto ou setembro. Então, eu tenho um tempo de folga e eu posso fazer o que quiser. Eu não sei se quero tirar uma folga ou seguir com outro projeto de direção ou encontrar um filme para atuar ou, você sabe, fazer qualquer coisa que eu me sinta inclinado criativamente a fazer ou esperar, relaxar, aproveitar a vida. E depois começamos a filmar Guerra Infinita, eu acho, algo no segundo semestre. Outono ou inverno de 2016. E serão nove meses de filmagens dos dois filmes.

Ele está acompanhando a cultura pop assim como o resto de nós: Verdadeiro
O último filme que eu vi: Birdman. Amei. Me ajudou bastante. Algumas vezes nos negócios, é fácil se sentir que você é o único que está enfrentando essas dificuldades ou que você é o único com ansiedade e inseguranças. É um negócio arriscado, uma coisa bem mental. Atores, em geral, são bem mentais. Então, ver um filme tão lindo trazendo à vida uma pessoa que está lutando contra tudo isso que eu mencionei… faz sentir como um grupo de apoio. Foi legal. Foi legal relacionar a algo assim.

Tradução: Tássia Cintra.
Créditos: Chris Evans Brasil.

Capitão América, Chris Evans, fala sobre seu, recém-descoberto, amor pela direção
11
09
postado por Flávia Coelho

Chris Evans, como outros muitos atores no Festival de Toronto deste ano, está aqui para promover a última novidade de sua carreira: ser diretor. É um papel que ele não está assumindo de leve e um que ele espera poder focar assim que seu dever como Capitão América finalmente se encerrar… em 2017.

Para sua estreia, o acessível ator, que agora está apresentando uma barba pós-Capitão, escolheu propositalmente um simples projeto: o filme Before We Go (Antes de irmos, tradução literal), escrito originalmente em 2007 e previsto para ser lançado na sexta-feira. O filme é centrado em dois personagens que se encontram de forma não tão fofa durante uma noite muito longa na cidade de Nova York. Pense em Antes do Amanhecer (Before Sunrise) sem as discussões intelectuais.

Evans estrela o filme também juntamente com Alice Eve (Star Trek – Além da Escuridão), e a simples narrativa deu ao ator de 33 anos a oportunidade de aprender a linguagem de dirigir num ambiente contido.

“Eu precisava de algo simples, fácil de administrar e isolado. E eu gosto desses filmes de qualquer forma”, ele diz, entre um monte de almofadas num dos lugares aleatórios para entrevistas do corredor principal do festival. “Quase parece uma peça de teatro. Eu gosto de coisas que possuem um número limitado de pessoas, um tempo definido. É quase como Neil LaBute.”

E como LeBute, Evans já está se preparando para uma reação dividida diante do filme, que estreará ao fim do festival. Ele e seus produtores já têm presenciado outras exibições e estão preparados para que nem todos os membros da plateia amem o final ambíguo da história.
“Você sabe quantas discussões eu tive com meus produtores que insistiam em querer outro final?”, ele pergunta. “Eu preferiria ter o público indo para casa e discutindo o quão único é e o que o amor significa do que eles irem para casa se sentindo confusos e sem graça.”

A persistência de Evans apesar de tudo será bem-vinda assim que ele assume esse novo desafio na sua carreira – um que ele pretende focar de vez assim que os próximos dois filmes da Marvel, Capitão América 3 e Os Vingadores 3, estiverem completos. (O trabalho dele em Os Vingadores 2 está completo).

“A única coisa que estou persistindo agora são projetos de direção”, ele disse, afirmando também que ele pretende que o segundo projeto seja mais ambicioso. “Quem sabe, em cinco, dez anos, eu possa sentir falta de atuar e queira fazer isso, mas por agora, eu realmente, gosto muito de dirigir, e eu adoraria continuar fazendo isso.”

Tradução: Tássia Cintra.
Créditos: Chris Evans Brasil.