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Entrevista: Chris Evans está cansado de não se sentir autêntico
Entrevista: Chris Evans está cansado de não se sentir autêntico

Chris Evans tem muito em sua mente.

Os Oscars são em menos de uma semana, e ele vai precisar estar tão bonito no tapete vermelho para que as pessoas não percebam o quão desconfortável toda essa situação deixa ele. Ele acabou de voltar de um experimento de roupa com seu estilista. O terno que ele vai acabar vestindo, um azul real remetendo a um clássico, funciona muito bem [nele]. Agora ele está perante à uma noite cheia de limpeza de casa muito necessária, porque como ele diz “está ficando muito nojento”. Mas, de maneira geral, ele está pensando sobre os Estados Unidos.

“Ultimamente, tudo em que tenho pensado é Política”, diz ele, antes de lançar um monólogo sincero sobre o que isso significa. Porque ele não está pensando nos distritos do Congresso ou na reforma da imigração. Quando ele diz que está pensando em política, ele está realmente pensando em como devemos viver nossas vidas nestes tempos loucos.

“Não são apenas as políticas de Trump, ou política, ou seu comportamento. Apenas enfatizou em como tratar uns aos outros e eu questiono se nós esquecemos a técnica por trás do discurso; A verdadeira arte de discordar de alguém enquanto respeitamos nossa humanidade”, ele continua. “As pessoas são tão polarizadas agora, e as questões são tão pessoais, que esta raiva se infiltrou e é feita para muita pouca paciência, compreensão e empatia. Quase se tornou ‘a sua opinião contra a minha opinião’, mas na mente de certas pessoas, ‘o bem contra o mal’, e as pessoas não querem comprometer-se com o mal”.

Para ser claro, eu não perguntei a ele sobre política. Para fazer o cara que interpreta profissionalmente o Capitão América falar seu ponto político seria um pouco óbvio demais. Em vez disso, eu apenas perguntei se ele tinha tido qualquer epifanias ultimamente. Você sabe, aquelas descobertas que fazemos repetidamente sem perceber. A resposta de Evans para isso foi: política. Isso não é surpreende de maneira alguma – como sua recente discussão no Twitter com David Duke demonstra, Capitão América não precisa de muito incentivo [pressão] para falar sobre os ideais americanos. Talvez essa seja a vida imitando a arte, ou talvez seja parte do motivo pelo qual Evans faz um bom Capitão América – ele realmente é aquele ser incrível e decente – mas de qualquer maneira, é muito para pensar, especialmente quando, tecnicamente falando, ele não está sob nenhuma obrigação para considerar muito de qualquer coisa.

Espera. Para.

Eu estou prestes a falar merda. “Chris Evans tem muito em sua mente?” Realmente? Isso é uma mentira desonesta. E eu respeito muito Chris Evans – especialmente depois de realmente falar com o cara – para se falar esse tipo de lorota.
Um perfil de celebridade – como este – tem três, talvez três e meio – objetivos principais:

1. Você quer humanizar o assunto. Claro, Evans é mundialmente famoso, e tem um corpo que vai fazer com que sua esposa se apaixone por ele, mesmo enquanto você está sentado lá no teatro com ela (história verdadeira), mas é bom gostar dele, porque ele é apenas um cara normal!

2. Faça jus ao nome do sujeito [Chris]. Você entende que, ao ser uma pessoa normal não ameaçadora, o sujeito também tem alguma qualidade que você, talvez, te falte, caso contrário você seria famoso também! “Chris Evans tem muito em mente”, te deixa saber que ele é digno de sua posição porque, ao contrário de algum ator imaginado, impossivelmente vazio que todos nós temos em nosso inconsciente coletivo, esse cara realmente pensa sobre as coisas. Seu cérebro está sempre indo, ele está sempre trabalhando, ele é um biscoito inteligente e um prostituto. Ele ganhou tudo o que ele tem, e, lembre-se, isso não poderia ter acontecido a um cara mais legal, mais simples.

3. E, finalmente, objetivo 3. Fornecer a emoção de acesso e a emoção de viver uma vida viciaria [estereotipo de ator]. Chris Evans tem muito em sua mente – e você é especial porque você sabe disso sobre a mente dele, mesmo que você seja um estranho que pode nunca conhecer o Chris Evans em pessoa. (Ah, e objetivo 3.5: promover o filme que o sujeito está estrelando, pagando assim pelo tempo do sujeito.),

Chris Evans tem jogado este jogo de Hollywood por mais de 15 anos agora. (Não acontece tanto agora, mas por um longo tempo, a maioria dos perfis sobre ele tinha um quarto objetivo: fazer mulheres / homens gays desmaiar na presença dele sem camisa. Mas, há alguns anos, um publicista fez isso parar. Porém o cara ainda parece um deus grego com camisa). Você ainda tem a sensação de que, apesar de seu comportamento não torturado, ele fez tudo isso com inautenticidade. Você sente isso principalmente porque ele é admitido tanto.

“Muitas vezes nesta indústria você é encarregado com, não apenas atuar em um filme, mas então você tem que vender o filme. E pode ser difícil se o filme não é, talvez exatamente o que você esperava”, diz ele. “É difícil vender qualquer coisa, na minha opinião. Eu não gosto de vender coisas. Sinto-me muito transparente quando me sinto embelezando. E é aí que nasce a ansiedade”.

Então, nesse mesmo espírito, deixe-me admitir algo: eu realmente não sei se Chris Evans tinha muita coisa em mente quando falamos, nem acredito necessariamente que pensar sobre a decência humana na era de Trump, Oscars, e limpar a casa necessariamente se qualifica como ‘ter muito em sua mente’. Isso sou eu enchendo linguiça. E enquanto eu não necessariamente sinto o mesmo desconforto que Evans, talvez eu deveria.

Então, no espírito de Chris Evans, vamos começar de novo. Talvez desta vez com um pouco de integridade.
Enquanto eu estou esperando para falar com Chris Evans, há duas narrativas concorrentes na minha cabeça, dois possíveis Chrises que eu possa encontrar.

É engraçado: um dos resultados acidentais de estar lá, no momento, vários atores de alto escalão chamados Chris – que são todos belos, loiros, caras brancos – é que eles inadvertidamente criam um espectro de Celebridade Masculina Persona. Numa extremidade, há Pratt: afável, encantador, que tem charme. No outro extremo do espectro, você tem Pine, que é mais reservado, sensível, desesperado para mostrar sua seriedade e alcance. Hemsworth, para o que vale a pena, reside mais perto de Pratt. Evans poderia ir para qualquer lado [do espectro]. Em algumas entrevistas anteriores ele demonstra uma delicada masculinidade Bostoniana – como, se a vida fosse um filme dos anos 80, ele seria uma parte de um grupinho de caras descolados que implica os nerds, só ele seria o único tentando fazer os caras pararem com isso, e ele ficaria por algumas porradas depois que eles saíssem, ele ficaria para se certificar de que o nerd estava bem. Mas então, em outras entrevistas, ele é honesto sobre o quanto odeia as entrevistas, como elas o tornam autoconsciente e ansioso.

Essa dicotomia, embora seja uma parte natural do ser humano, é interessante porque o filme que ele está promovendo parece lidar com algo semelhante. Pelo menos para mim. Em Gifted, Evans interpreta um homem que está criando sua jovem sobrinha depois do suicídio de sua irmã. Ela era um gênio da matemática e sua filha herdou suas habilidades sobrenaturais. Não querendo que sua sobrinha atravesse as mesmas dificuldades que sua mãe, Evans a cria na Flórida, o mais longe de elites acadêmicas exigentes possível. O conflito surge quando a avó da menina o leva ao tribunal, para trazer a criança de volta à torre de marfim, onde ela pode fazer algo matematicamente importante. O filme, é claro, é emocionante, e seu desempenho é natural, e colorido [de emoções] e você quase esquece que a última vez que você viu ele nas telonas ele estava batendo no Homem de Ferro com um escudo de estrelas e listras.

Mas ao tentar levar sua neta de volta para a Cidade Grande, obtemos uma imagem clara dos dois gumes dos Estados Unidos [Democracia x República] sobre os quais tanto ouviu falar durante as eleições. Uma psicóloga de crianças parece preocupada e com pena quando a garota fala sobre como ela assiste UFC com seu tio, ou como seu melhor amigo é uma vizinha interpretada por Octavia Spencer. Evans é um faz-tudo (embora seja secretamente um professor de filosofia, e também um mecânico), tentando dar a sua filha adotiva uma vida “regular”, o vilão é um cartão que carrega o membro das elites acadêmicas costeiras. É bagunçado, mas é tudo americano. Ambos os lados cometem erros, ambos os lados são humanos.

Caso tenha alguma relevância, ele está feliz por eu ver Gifted como uma exploração da dualidade da experiência americana, mas não foi isso que o atraiu para o papel. “Eu acho que é sempre divertido tentar interpretar filmes através de lentes diferentes. Para mim, era mais sobre a fricção e conflito que pode acontecer entre um pai e uma criança, quando um pai é dominador e cria grandes expectativas, a criança se rebela, e tipo apenas querer amor e nunca se sentir bem o suficiente”, diz ele . Era uma questão de família para ele. Mas – e talvez estamos prolongando falando isso – eu digo que não há muita diferença entre a dicotomia de relacionamentos familiares, e como os americanos se relacionam uns com os outros, e com seu governo.

E, enquanto estou me esforçando por uma linha temática, o Capitão América toca em algo semelhante. Pense nisso: temos o símbolo vivo da força e da justiça Americana sendo constantemente confrontados com seu próprio governo. Se Cap e o governo dos Estados Unidos são símbolos da América, qual América é a verdadeira? O que significa Família? Quem é Chris Evans?

Você pensa em muitas coisas quando está esperando por Chris Evans. Acontece que o Chris que está aqui parece estar mais perto de Pratt no espectro do que o lado do Pine.

Ele parece energizado e positivo, pronto para uma conversa agradável e leve sobre seu novo filme. Estou quase decepcionado. Principalmente porque – e isso é projeção – eu tinha decidido que o cara calmamente ansioso, e que parecia um Adônis-com-um-coração-de-artista era o Chris Evans de verdade, e que esta máquina de charme que está falando comigo fosse uma fachada.

“Eu realmente não me importo de fazer essas entrevistas”, ele diz, depois de me desculpar por forçá-lo a participar de algo que ele odeia. “A primeira vez que fiz alguns filmes que eu amava muito, eu sempre queria mais perguntas sobre eles. Fiquei emocionado. Mas, se você vê a minha página IMDB, no início da minha carreira é apenas evidência de que fazer um bom filme é difícil. Se fosse fácil, haveria muito mais deles. Você trabalha muito duro nessa coisa, e então você tem que descobrir o que dizer, como dizê-lo, tudo parecia um pouco muito adaptado, tudo parecia um pouco forçado demais. Isso me fez muito autoconsciente, e me senti muito desconfortável nesse ambiente”.

E, falando de dicotomias, percebo que enquanto falo com ele, que constantemente colocamos atores nesta posição enlouquecedora: esperamos autenticidade, então tornamos a autenticidade contratualmente impossível, ou a punimos quando a vemos. Esperamos que eles promovam alegremente o filme em que estão, então culpamos ou zombamos deles se o filme não é muito bom. Por outro lado, se um ator der a menor insinuação de infelicidade durante uma entrevista de imprensa ou aparência de TV, nós o repreendemos por serem ingratos, ou os desaprovamos por estarem vendendo [o trabalho].

É fácil entender por que alguns atores – especialmente atores sérios – seria mídia tímido, ou excessivamente sensível. Mas, quando Chris Evans fala sobre esta situação, não soa como vaidoso ou pretensioso. Ele insere uma quantidade suficiente de qualificadores em suas frases que ele seria inquestionável. E mesmo quando ele fala sobre como ele quer se concentrar em dirigir – um assunto precário para qualquer ator que muitas vezes sai como um calouro Inglês falando sobre como ele está escrevendo o próximo Infinite Jest. Evans soa mais como um colega de trabalho especulando sobre como fazer uma carreira com efeitos colaterais se mover.

“É difícil, porque se você não irá escrever o conteúdo original, e você está apenas procurando projetos que estão disponíveis, a verdade é que é escolhas escassas. Um monte de grandes roteiros que estão disponíveis para uso, grandes diretores realizados já pegaram. Portanto, é um pouco difícil tentar encontrar esse diamante bruto. Mas essa foi a minha caçada ultimamente “, diz ele. “Eu acho que com a direção você começa a fazer menos imprensa. Cada vez que eu faço esses filmes, e fazer essas entrevistas, você vê o diretor muito pouco. Então isso seria bom para não ser encarregado com o trabalho de fazer talk shows. Mas, eu também sinto com cada ano que passa eu me tornei mais e mais confortável com certas coisas que, há 10 anos, eu não era”.

Ele consegue soar grato e com pé no chão, mas também, bem, como se ele realmente tivesse integridade. Porque é claro que seria enlouquecedor ter que promover filmes em que você não acreditasse. Especialmente desde que, com a edição e direção e notas de estúdio e tudo isso, é quase impossível para um ator saber se ele está fazendo um Capitão América: Guerra Civil , Ou se ele está fazendo Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado. A integridade, porém, não é uma característica que normalmente se associa com celebridades, especialmente aquelas que têm bonecos deles mesmos.

Eu mencionei os objetivos de um perfil de celebridade – e eu acredito neles – mas, realmente, deixando de lado qualquer reflexão temática sobre dicotomias, e quem é o verdadeiro Chris Evans, a principal questão que essas peças devem responder é simples: como é conversar com Chris Evans?

É refrescante. É decente. É como conhecer o novo namorado de seu amigo e perceber que ele é um sujeito muito legal. E por um lado, você não está surpreso porque sua amiga é uma garota muito legal e, claro, ela teria bom gosto em homens, mas por outro lado, ela namorou alguns idiotas de verdade.

Mas esse novo namorado, você não gasta tanto tempo com ele. Você obtém um esboço, uma prova, por falta de uma palavra melhor, menos vagamente homoerótica neste contexto. Você não vê a imagem inteira, mas o que você vê é promissor. Se há, de fato, um Chris Evans ansioso, ele não o consome por inteiro. Na verdade, é quase como se as coisas que o tornariam insuportável – ou seja, seu desconforto com o lado comercial do negócio – é realmente o que o torna mais relacionável. Também pelo fato dele vir de um lugar de verdade, que é fácil se sentir em casa, por ele ser filho de uma professora, e por levar a família no Oscar. Que, na verdade, é exatamente certo.

Porque Chris Evans é humano. Ele é famoso e divertido, sério e vulnerável. E ele merece sua fama, e isso não poderia ter acontecido a um cara mais legal. Provavelmente.

Fonte.
Tradução: Marina de Castro.
Equipe Chris Evans Brasil.

23/03/2017

Postado por Flávia Coelho

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