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Esquire: Chris Evans está pronto para lutar
Esquire: Chris Evans está pronto para lutar

Seu sucesso como Capitão América transformou Chris Evans em uma das coisas mais certeiras de Hollywood, o que significa que ele pode fazer o que quiser em seu tempo livre. Então por que pular de paraquedas e entrar nessa com David Duke?

Os comandos canadenses são os primeiros a pular. Nosso avião alcança uma altitude de cerca de 2400 metros (8000 pés); nossa porta traseira se abre. Embora seja um dia quente de inverno lá em baixo no Sul rural da Califórnia, aqui em cima, nem tanto. Sai-se 8 comandos, todos de camuflagem preta e vermelha, um atrás do outro. Para eles é um exercício de treinamento, e Jesus, esses bastardos insanos estão animados! O último Canuck a sair em direção ao nada é um garanhão estranhamente alto com com um corte de tripulação e um bigode de guidão; antes dele pular, ele manda um sorriso para a gente. Sim, sim, a gente entende: você é f***.

Momentos depois, o avião está a 3000 metros (10000 pés), e os próximos a pular é um casal do Oriente Médio na casa dos trinta. Esses dois não aguentam esperar. Eles estão estáticos. Paraquedismo claramente é importante para eles. Por que? Eu não consigo parar de pensar nisso. É igual preliminares [para eles]? Será que eles correm para o carro depois de aterrissarem e mandam ver no estacionamento? Eles dão um joia para gente e lá se vão.

Desse jeito, estamos a 3800 metros (12500 pés) e é nossa vez. Eu e Chris Evans, reconhecido pelo universo a fora como a estrela dos quadrinhos da Marvel, Capitão América e os filmes dos Vingadores. Os cinco filmes em série, os quais começaram em 2011 com Capitão América: O Primeiro Vingador, arrecadaram mais de $4 bilhões.

Nós dois, mais quatro membros da tripulação, somos os únicos que sobraram na traseira do avião. Sobre o alto zumbido das hélices duplas, um dos tripulantes grita “Certo, quem vai primeiro?”.

Evans e eu estamos sentados em bancos opostos um do outro. Nenhum de nós responde. Eu olho para ele; ele olha para mim. Eu me sinto como se tivesse engolido um rato vivo. Evans está todo e todo, todo descolado Capitão América, sorrindo para todos os lados.

Enquanto estávamos esperando para embarcar no avião, Evans me disse que quando ele foi deitar na noite anterior, tudo que ele conseguia pensar era “eu explorei a sensação de e se o paraquedas não abrir?…”

Ah você sabia?

“… Aqueles últimos minutos de você sabe. Como em você sabe que você vai fatalmente se espatifar”. Você não vai desmaiar; você vai estar bem acordado. Então o que? Eu fecho meus olhos? Esperançosamente, que seja rápido. As luzes se apagam. Eu espero mesmo que seja rápido. E aí eu fiquei, se você vai mesmo fazer isso, vamos fingir que não tem como isso dar errado. Só vá com tudo e pule do avião com gosto”. Evans também disse que ele pesquisou a taxa de fatalidades no paraquedismo. “É, tipo, 0,006 fatalidade por 1000 saltos. Então acredito que nossas chances sejam boas”.

Novamente um dos membros da tripulação grita “Quem vai primeiro?”

Novamente eu olho para Evans; novamente ele olha para mim. O rato está correndo em círculos no meu estômago.

Eu olho para Evans; ele olha para mim.

Outro tripulante pergunta “De quem foi a ideia? ”

Foi uma pergunta excelente.

Eu pergunto ao Evans a mesma coisa quando nos conhecemos pela primeira vez, na noite anterior ao nosso salto, em sua casa. Ele mora no topo das montanhas de Hollywood, em um racho contemporâneo no centro de um jardim estilo Japonês. O lugar tem uma vibe de retiro de meditação de LA – tem até uma estátua do pequeno Buda na entrada.

O cara que abre a porta da frente está em jeans, uma camiseta, e Nike; ele tem um boné preto com o logotipo da NASA, e sua barba é o bastante considerável e por um segundo você esquece que é o mesmo cara que interpreta um super-herói com cara de bebê. Nosso aperto de mão na entrada [de sua casa] é interrompido quando seu cachorro avança para minha virilha. Evans se desculpa por isso.

Nós conversamos um pouco. Evans é do subúrbio de Boston, um filho de quatro crianças criadas pelo pai, um dentista, e a mãe, que comanda um teatro da comunidade. O ponto é, ele é um fã dos Patriots, e com o Super Bowl LI, entre os Patriots e os Falcons, que acontecia em alguns dias [da data do paraquedismo e da sessão de fotos para a revista], é a única coisa que passa por sua [Evans] cabeça. Pode apostar seu Sam Adams – ele goza falando que vai ao jogo em Houston. “Ai meu Deus ”, ele diz, fazendo uma dancinha. “Eu não acredito que é esse final de semana”.

Como qualquer fã dos Patriots que se preze, Evans está super puto com o comissário da NFL Roger Goodell.
Evans não vai ao Super Bowl LI com a lista de atores de Hollywood [que são fãs dos Patriots] como Mark Wahlberg, Matt Damon, e Bem Affleck. Para constar, ele nunca conheceu o Damon, e sua única interação com Wahlberg foi a um par de anos atrás num evento dos Patriots. Evans, no entanto, se humilhou na frente do Affleck.

Em torno de 2006, Evans se encontrou com Affleck para falar sobre Medo da Verdade, o qual Affleck estava dirigindo. Evans estava andando pelo corredor, procurando o cômodo onde era para eles se encontrarem. Passando por um escritório com porta aberta, ele ouviu o Affleck, com aquele forte sotaque dele de Boston, gritando “Ai está ele! ” (Evans imita o Affleck direitinho).

Naquela época, Evans já tinha tido se acostumado com a fama por causa de Tocha Humana, Johnny Storm, no Quarteto Fantástico de 2005, mas mesmo assim ele teve uns surtos [ao conhecer Affleck]. Como ele conta: “A primeira coisa que disse a ele foi: ‘Será que vou ter problema com onde eu estacionei?’ e ele perguntou ‘Onde você estacionou? ‘, e eu disse ‘No parquímetro’. E ele disse ‘Você colocou dinheiro no parquímetro? ‘e eu disse sim. E ele disse ‘Bem, que acho que você vai ficar bem’. E eu pensei, nossa começamos bem! ”. Constatando o óbvio: Evans não entendeu essa parte.

Não, Evans vai ao Super Bowl com seu irmão e três de seus amigos mais próximos. Como qualquer fã dos Patriots que se preze, Evans está super puto com o comissário da NFL Roger Goodell por impor a suspensão de Tom Brady pelo Deflategate [longa história para o time]. Pegando duas cervejas do freezer que está praticamente vazio, Evans diz: “Só quero ver o Goodell entregar o prêmio para Brady. Goodell. Pedaço de merda’.

Na sala de estar do Evans, não tem nada do Capitão América. Tons de terra, mesas que parecem ser feitas de madeira recuperada. À vontade. Desorganizado. Portas de vidro se abrem para um quintal com uma vista incrível das montanhas de Hollywood. Evans se espreguiça em um dos dois sofás. Eu sento no outro e pergunto “De quem foi essa ideia de saltar?” E já que nenhum de nós sabe de quem foi a ideia, ambos sabemos que o que eu realmente estou perguntando é Por que? Por que, cara, por que você quer saltar (comigo) da porra de um avião? “Sim”, ele diz abrindo a cerveja, “Não faço ideia do que estava pensando!”

Se ajeitando no sofá, ele geme. Evans me explicou que ele está todo dolorido porque ele começou a rotina de work out no dia antes [a visita] para entrar em forma para os próximos dois filmes do Capitão América. Os filmes serão filmados de uma vez só, começando em Abril. Depois disso, nada de fantasia vermelha, branca e azul para o ator de 35 anos. Ele terá completado seu contrato.

“Sim”, ele diz abrindo a cerveja,

“Não faço ideia do que estava pensando!”

Lá em 2010, Marvel apresentou ao Evans um contrato de nove filmes. Ele insistiu em assinar apenas seis. Alguns membros da família acharam que ele foi louco de dar meia volta em um projeto tão seguro e lucrativo. Evans via diferente.

Leva cinco meses para filmar um filme da Marvel, e quando você soma as obrigações promocionais para cada um, bem, caralho, cara. Evans sabia que enquanto ele estivesse ligado ao Capitão América, ele teria pouco tempo para tomar outros projetos. Ele queria dirigir, ele queria fazer outros personagens – papeis que fossem mais humanos – como o de principal em Gifted, o qual chega aos cinemas mês que vem. O roteiro o levou às lágrimas. Evans conseguiu apertar o filme entre os do Capitão América e Os Vingadores.

Em Gifted, Evans estrela como Frank Adler. Você não consegue um papel mais humano do que o de Adler, um mecânico de motor de barco com graxa debaixo das unhas, com vida de solteirão na Flórida. Depois de uma série de circunstâncias trágicas, Adler se torna o pai substituto de sua sobrinha, Mary, uma aluna do primeiro ano com o QI do Einstein. Ele reconhece que Mary é uma geniazinha, e ele faz de tudo para que ninguém mais note. Dadas as circunstâncias anteriormente, Adler testemunhou o que pode acontecer quando uma criança com uma mente brilhante é pressionada demais e muito rapidamente. E aí a professora de Mary entra em cena. Ela descobre que a criança tem um dom e problemas de drama na família.

Durante um momento do filme onde as coisas não vão do jeito que Adler queria, ele sarcasticamente refere a si mesmo como um “porra de um herói”. Evans disse que a fala não era para fazer comparações entre o super-herói Steve Rogers (vulgo Capitão América) e o Homem de Todos, herói Frank Adler. Mas já que ele mencionou.

“Com Steve Rogers”, disse Evans, “Mesmo que você esteja num filme enorme com um orçamento enorme e fantasias estranhas, você ainda busca a verdade sobre o personagem”. Dito isso, “Com Adler, é legal interpretar alguém relacionável. Eu acho que foi a Julianne Moore que disse ‘A plateia não vai para ver você; eles vêm para ver eles mesmos’. Adler é alguém que você pode segurar como um espelho para alguém no público. Eles se identificarão muito mais facilmente com Frank Adler do que Steve Rogers”.

Dodger. É o nome do cachorro do Evans, o qual arregaçou minhas bolas e têm feito um ótimo trabalho em fazer as pazes [comigo] se acariciando em mim no sofá. Evans o pegou quando ele estava filmando Gifted; em uma das últimas cenas foi gravada num abrigo de animais na Geórgia. Evans queria um cachorro desde que seu último amorzinho morreu em 2012. Então ele se encontrou andando no corredor desse cachorro, e lá estava o boxer de raças mistas, abanando o rabo e parecendo como se já pertencesse ao Evans.

Dodger não é exatamente um nome que se espera de um fã roxo dos esportes de Boston. Seus amigos de sua cidade natal o zoaram bastante por isso. Mas ele não abandonou seu Red Sox pelo time de Los Angeles [baseball]. Quando criança, ele amava o filme de animação da Disney, Oliver e Seus Companheiros, e seu personagem favorito era o Dodger. Antecipando o sofrimento que iria obter de seus amigos, Evans considerou outros nomes. “Você pode colocar Doorknob” ele disse “e em um mês ele um Doorknob”. A mãe de Evans o convenceu a confiar nos seus instintos.

Perto da época quando Evans estava terminando Gifted e voltando para Los Angeles com Dodger, a campanha presidencial de 2016 ainda estava na fase em que ninguém, incluindo o ator – um apoiador de Hillary Clinton – achava que Trump tinha chance. Ele ainda não acredita que Trump ganhou.

“Eu sinto raiva”, ele disse. “Eu sinto fúria. É inacreditável. As pessoas estavam tão desesperadas por ouvir alguém dizer que alguém é culpado. Eles estavam muito feliz por ouvir que alguém estava com raiva. Ouvi alguém dizer que Washington é uma droga. Eles só querem algo novo sem realmente compreenderem. Quero dizer, caras como Steve Bannon – Steve Bannon! – esse cara não tem lugar na política!”

Evans tem feito, e continua a fazer, seu ponto político no Twitter. Ele tweetou que Trump deveria “parar de dar corda a mentiras”, e ele recentemente acabou em um debate polêmico no Twitter com um antigo líder da Ku Kux Klan, David Duke, sobre a escolha de Trump sobre o procurador geral, Jeff Sessions. Duke fez uma acusação sem fundamento sobre Evans estar sendo anti semita; Evans encorajou Duke a procurar amor: “É mais forte que o ódio; Nos une. Prometo a você que está logo depois de raiva e medo”. Fazer declarações políticas e engajar-se em tais trocas [de opiniões] em lugares públicos [como rede social] é uma coisa bastante arriscada para a estrela de Capitão América fazer. Sim, conselheiros o disseram muito “Olha, estou em um negócio onde você tem que vender ingressos”, ele disse “Mas meu Deus, eu não seria capaz de me olhar no espelho se sentisse algo forte por algo e não falasse sobre. Eu acho que depende de como você fala. A gente pode discordar. Se eu constato minha opinião e as pessoas resolvem não irem ver meus filmes como resultado, eu estou tranquilo com isso”.

Trump. Bannon. Política. Agora Evans está animado. Ele sai do sofá, anda até a varanda, acende um cigarro. “Algumas pessoas dizem ‘Você não vê o que está acontecendo? É hora de gritar!’ ”, diz Evans. “Sim, eu vejo, e é hora de calma. Porque nem todo mundo que votou para Trump é um intolerante [ignorante] horrível. Tem muitas pessoas nesse meio; e essas são as pessoas com quais você não pode perder a credibilidade. Se você está tentando mudar a cabeça de alguém falando muito, você pode se tornar a poluição sonora”.

Evans tem uma história bem notável sobre como chegou a Hollywood.

Durante seu primeiro ano de ensino médio, ele sabia que queria atuar. Ele fazia muito isso. Na escola. No teatro da mãe dele. Ele amava. “Quando você está fazendo uma peça com 13 anos de idade e tem uma noite de estreia? Nenhum dos meus amigos tinham noites de estreia. ‘Não posso dormir aí com vocês, caras; eu tenho uma noite de estreia’ ”.
Naquele mesmo ano, ele fez uma peça de dois caras. Para todas as mais de vinte e tantas peças que Evans tinha feito até aquele ponto, a preparação significava ir para casa, memorizar as falas e fazer algumas passagens com o elenco. Entretanto, para sua peça, Estrela Caída [Fallen Star], ele e sua co-estrela ensaiavam passando o diálogo um com o outro. Hora depois de hora, noite depois de noite.

Estrela Caída é sobre dois amigos, um deles acaba de morrer. Conforme a peça abre, um dos personagens chega em casa após o funeral e encontra o fantasma de seu amigo morto. Evans era o fantasma. Esperando nos bastidores na noite de estreia, ele sabia que não tinha decorado todas as falas, mas ele tinha a essência e a emoção da peça toda. No palco, ele relembra “Eu falava as falas não porque eu tinha as memorizado, mas porque a peça estava em mim. Eu acreditava no que eu estava dizendo”.

Ele estava viciado. Ele queria fazer mais desse negócio de atuar – atuar de verdade. Ele queria fazer filmes, na qual a câmera estivesse nele e ele pudesse ser apenas o personagem, além do teatro, no qual o ator tem que atuar em um cômodo [para público].

Um amigo da família que era um ator de televisão aconselhou Evans dizendo que se ele quisesse ir para Hollywood, ele precisaria de um agente de talentos. No final de seu primeiro ano do ensino médio, ele tinha um pedido um tanto quanto corajoso para seus pais: Se ele encontrasse um estágio com um agente de elenco na cidade de Nova York, eles permitiriam que ele morasse lá e iriam pagar o aluguel [para ele]? Eles concordaram. Evans conseguiu um bico com Bonnie Finnegan, a qual trabalhava no programa de TV Spin City.

“Eu fodi tudo. Perdi minha virgindade naquele ano. 1999 foi um dos melhores anos da minha vida”. Até que não foi.
Evans escolheu fazer um estágio com um agente de elenco porque ele achava que ele tinha mais de uma chance de interagir com outros agentes tentando conseguir audições para seus clientes.
Ele tinha 16 anos.

Finnegan botou Evans no telefone; sua responsabilidade incluía marcar encontros para audições. Até o final do verão, ele escolheu os três agentes com quem ele tinha a melhor relação e pediu a cada um deles para dar-lhe uma audição de cinco minutos. Todos os três disseram que sim. Depois de ver sua audição, os três estavam interessados.

Evans escolheu o que Finnegan tinha recomendado, Bret Adams, que disse a Evans voltar a Nova York para audições em Janeiro, um piloto de temporada de uma série de TV. De volta em casa, ele tinha dobrado algumas classes do primeiro semestre de seu terceiro ano, se formou mais cedo, e voltou a Nova York em Janeiro. Ele pegou mesmo buraco de merda de apartamento em Brooklyn que ele tinha na época do estágio com Finnegan. Ele conseguiu um papel no piloto de Opposite Sex. Ainda melhor, o show decolou e começaram a gravar em Los Angeles no outono.

“Eu sei que vou para Los Angeles em Agosto”, diz Evans relembrando a aquele período. “Então eu voltei para casa na primavera e acordar por volta do meio-dia, passar no colégio para ver meus amigos, a gente ficava chapado no estacionamento. Eu fodi tudo. Perdi minha virgindade naquele ano. 1999 foi um dos melhores anos da minha vida”. Até que não foi.

Não fazia nem um mês que ele estava em Los Angeles e ligaram para ele de casa [Boston]. Seus pais estavam se divorciando. Evans nunca adivinhou.

Família e amor e as lutas nestes são parte do que atraiu Evans para Gifted.

“Na minha própria vida, eu tenho uma conexão com a minha família e com o valor dessas ligações”, ele diz. “Eu sempre amei histórias sobre pessoas que põem a família antes deles mesmos. É um esforço tão nobre. Você não escolhe a família, como escolhe os amigos. Especialmente em Los Angeles. Você realmente começa a ver como as amizades são postas à prova; agita todos os egos. Mas se algo realmente dá errado em uma amizade, você tem a opção de não ser amigo mais. Sua família – é sua família. Tentar fazer o sistema funcionar e não só tentar ser funcional como também apreciável é um esforço muito desafiador, e é assim que a minha família é claramente”.

No avião, uma decisão foi feita.

“Eu quero ver você pular primeiro”, Evans grita para mim.

Mas claro que quer.

Como qualquer centro legal e respeitável de paraquedismo, Skydive Perris, que está nos providenciando com essa “experiência”, não amarra um paraquedas nas suas costas. Primeiro, você vai a uma sala por um período de instruções. Então você vai a outra sala, onde assina os seus direitos.

Você deve estar se perguntando como uma estrela de uma franquia de bilhões de dólares com dois filmes faltando para filmar consegue autorização para pular de um avião – nem pense na baixa taxa de fatalidades, como Evans apresentou. Eu também.

“Bem, eles te dão todas essas políticas de segurança, mas mesmo se eu morrer, o que eles [da Marvel] vão fazer? Processar minha família? Eles provavelmente vão elencar um novo cara por um preço mais baixo e economizar uma grana”.
Já pensando que a resposta deve ser com certeza não, eu pergunto ao Evans se ele já tinha pulado de paraquedas antes. Mas acontece que sim, ele já tinha pulado com uma ex-namorada. Acontece que essa ex-namorada está agora casada com Justin Timberlake. Evans e Jessica Biel namoraram vai e volta de 2001 a 2006. Eles saltaram juntos quando Biel teve a ideia para o Dia dos Namorados. De acordo com a mídia, Evans estava recentemente namorando sua co-estrela de Gifted, Jenny Slate, que interpreta a professora. “Sim”, ele diz, “Mas quero evitar essas perguntas”. Você quase consegue ouvir o coração dele palpitando.

“Há uma certa experiência de vida compartilhada que é difícil para outra pessoa que não está nesta indústria de compreender”

Terminamos discutindo amplamente os desafios únicos que uma estrela internacional como Evans enfrenta quando se trata de namoro, especificamente o fator de confiança. Evans supõe que é por isso que tantos atores namoram outros atores: “Há uma certa experiência de vida compartilhada que é difícil para outra pessoa que não está nesta indústria de compreender”, diz ele. “Permitir que alguém vá trabalhar com alguém por três meses e eles não irão se ver. Realmente, certamente coloca o relacionamento em teste.”

Em Gifted, há um momento em que o personagem de Slate pergunta a Adler qual é seu maior medo. O maior medo de Frank Adler é que ele arruinará a vida de sua sobrinha. O maior medo de Evans é ter arrependimentos.

“Como sempre, tipo, de querer estar lá ao invés de aqui. Eu acho que estou preocupado que de repente vou envelhecer e ter arrependimentos, perceber que eu não tenho cultivado o suficiente o fato de apreciar o agora e se render ao momento presente”.

As reflexões de Evans têm algo a ver com o fato de ele estar lendo The Surrender Experiment. “É sobre a noção básica de que estamos apenas de bom humor quando as coisas estão indo do jeito que queremos”, diz ele. “A verdade é que a vida vai se desenrolar como ela vai se desdobrar, independentemente da sua vontade. Se você é um participante ativo nessa consciência, a vida meio que te dá uma lavada sobre você, boa ou ruim. Você meio que se torna um pouco Teflon para as lutas que nos autoinfligimos”.

Ele continua: “Nossas mentes conscientes estão muito espalhadas. Nós nos preocupamos com o passado. Nos preocupamos com o futuro. Nós fazemos rótulos. E tudo isso nos deixa muito separados. O que eu estou tentando fazer é acalmar. Acalmar esse cérebro de vez em quando e esperar que esses períodos de silêncio e quietude durem mais. Quando você faz isso, o que sobe da neblina é uma espécie de rendição. Você está mais conectado ao invés de estar separado. Muitas perguntas sobre o destino ou o propósito, ou qualquer coisa dessas – não é como se você obtivesse respostas. Você percebe que não precisava das perguntas.”

Isto aqui – essa coisa de se render, de deixar a vida se desenrolar, dar o salto – é por isso que ele queria ir para o paraquedismo. É por isso que aquele menino de dezesseis anos deu o salto e passou o verão em Nova York; É por isso que ele deu o salto e recusou o contrato de nove filmes; É por isso que ele conseguiu Dodger. Rendição. Dar o salto.
Então eu vou primeiro.

Ah, um detalhe importante: novatos como eu e o Evans, não pulamos sozinhos. Graças a Deus. Cada um de nós está fazendo um salto Tandem. Cada um de nós está preso pelas costas à frente de um saltador profissional. Eu estou preso a um cara de quarenta anos chamado Paul. Considerando o que está prestes a acontecer, eu cheguei à conclusão que seria bom eu conhecer um pouco do Paul. Ele me contou que costumava a ser dono de um bar em Chicago. Evans está preso a uma jovem chamada Sam, que parece ter vinte e alguma coisa. Ela tem uma mecha rosa meio roxa no cabelo preto dela e isso diz coisas como “fodona”. Aliás, Sam se apresentou falando “Eu sou a Sam, mas pode me chamar de Fodona”.

Na porta aberta do avião, minha mente vai para minha esposa e dois filhos adolescentes, para aqueles que eu amo, e para os textos que eu acabei de enviar no caso do meu paraquedas falhar. Então, Paul e eu, bem, principalmente a Paul, balançamos suavemente para trás e para frente para construir impulso para nos afastarmos do avião, afastando-nos de tudo o que parece sensato.

Três.

Dois.

Um.

Puta merda.

PUTA MERDA. Isso é o que eu grito enquanto caímos em queda livre de 3800 metros (12500 pés), a mais de 160 km/h, em direção a terra. A qual eu não consigo parar de encarar. Eu não penso em nada. Não em viver. Não em morrer. Nada. Eu simplesmente sinto… Eu tenho que deixar [acontecer].

De repente, tudo para. Eu estou lacrimejando. Paul puxou o paraquedas, e tudo, de fato, se abre. É fantástico, porque significa que eu tenho uma chance muito menor de morrer. Mas também é meio chato. Eu tive que desapegar. De tudo. Eu tinha escolhido jogar aquelas probabilidades sobre quais Evans tinha falado. Eu tinha abraçado o salto e deixando a vida se desdobrar.

Agora eu tinha sido empurrado para trás. Eu aterrissaria. De volta à terra, eu estava tão alto e de onde eu tinha sido removido. De volta a tudo isso.

Uma vez que estou no chão, seguro e inteiro, um funcionário se apressa e pergunta como me sinto. Eu digo: “Eu me sinto como o Capitão América.”

O funcionário passa e faz a Evans a mesma pergunta. Ele diz que se sente bem. Então ele fez outra pergunta: Qual era a sua parte favorita?

“Saltando para fora”, diz ele. “Saltar para fora é sempre uma emoção real.”

Tradução: Marina de Castro.
Créditos: Chris Evans Brasil.

16/03/2017

Postado por Flávia Coelho

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