Chris Evans Brasil » Arquivo » W Magazine: Chris Evans ainda acha que o Capitão América é virgem
Não somos o Chris Evans, nem trabalhamos com ele ou algum de seus produtores ou assessores. Somos apenas uma fã-site brasileiro dedicado à ele. Apenas um portal de informações. É proibida a cópia parcial ou total do site. Sem fins lucrativos. Caso tenha algo seu postado em nosso site, entre em contato conosco, antes de tomar qualquer providência legal.
W Magazine: Chris Evans ainda acha que o Capitão América é virgem
12
09
postado por Flávia Coelho

Me conta para o que foi sua primeira audição. Quantos anos você tinha?

Chris: Eu devia ter uns 12 anos ou algo assim. Talvez a minha primeira audição de todas foi para a escola, uma peça chamada Crazy Camp (Acampamento Louco). Foi na sexta série. E, bem, eu não consegui o papel principal; eu interpretei o coadjuvante do principal, o que foi tão bom quanto [o principal]. Eu acabei namorando uma das garotas mais populares como resultado, e aí, no minuto que a peça acabou, ela me dispensou. E foi aí que eu aprendi o poder que tem você conseguir um bom papel.

E também foi picado pelo vírus [do cinema*], além da garota?

C: Fui. E foi bem divertido. Foi algo que eu peguei bem facilmente. Eu só me senti confortável, bem natural. Minha irmã mais velha [Carly] também fazia [teatro], e vê-la fazendo, assim como qualquer coisa que ela fazia, eu queria copiar. Então pareceu bem normal, e tinham vários teatros na comunidade local então eu comecei a fazer peças durante todo o ano. Naquele ponto ainda era apenas um passatempo. [Mas] Eu ainda tinha em vista me tornar um artista. Eu estava muito afim de desenhar e pintar. Eu gostava muito de animação. Parte de mim queria trabalhar com a Disney ou a Pixar. Bem, acho que a Pixar ainda não tinha sido liberada naquela época.  Sabe, eu lembro quando A Bela e a Fera saiu nos cinemas, foi a primeira vez que eles começaram a incorporar os computadores, e foi simplesmente uma coisa muito legal, e eu lembro de ter pensado “Eu nunca vou deixar de gostar de desenhos animados” [risos]. É um ótimo formato para contar histórias de uma forma única. E eu amei Fantasia. E então, na época, se tratava muito mais sobre a arte. E então, em algum ponto do meu ensino médio, comecei a focar um pouquinho mais em atuar e lá pelo último ano, eu já tinha me comprometido. Essa é a coisa boa sobre fazer teatro de comunidade. A relação de um cara para uma garota é drasticamente desequilibrada, então você tem uma chance bem maior de conseguir um papel bom.

E você pode cantar. Sua co-estrela de Capitão América, Scarlett Johansson, diz que você é um ótimo cantor.

C: Vindo da Scarlett isso não é justo porque ela é como uma cantora incrível e legítima.

E por isso é um grande elogio, porque ela disse que você está cantando o tempo todo.

C: É muito gentil da parte dela. Eu não sabia que cantava o tempo todo, mas é muito gentil dela dizer isso.

Então agora em Capitão América você não fica cantando músicas de shows entre as filmagens?

C: Não, eu provavelmente fico fazendo um pouco de soft shoe*. Eu cresci dançando também. Minha mãe era uma dançarina de sapateado, então tínhamos chão de sapateado no porão, e todos nós ganhamos aulas.

Você tinha um chão de sapateado no seu porão?

C: Sim! Só para você saber, por maior parte da nossa vida, o chão era de carpete, e aí minha mãe colocou um tipo de piso de plástico que soava incrível ao dançar sapateado. E aí ela começou a nos dar aulas de sapateado. Eu joguei futebol por toda a minha vida, mas, novamente, quando eu cheguei nessa época do ensino médio, eu comecei a deixar de lado. E aí no ensino médio eu fiz um pouco de luta e foi horrível, e eu joguei lacrosse* e também não foi lá aquelas coisas. Mas pois é, eu fiz tudo isso porque a maioria dos meus amigos jogavam vários esportes. Eu era o único dos meus amigos que fazia teatro.

Então em algum ponto, você tomou a grande decisão de se mudar para Los Angeles?

C: Bem, eu não tomei essa decisão de verdade. Ela foi tomada por mim. Você sabe que eu tinha me mudado para Nova York assim que acabei o ensino médio, e então eu consegui um episódio piloto*. E do piloto continuou. Foi uma série da Fox criticamente aclamada, chamada de Opposite Sex (Sexo Oposto). E ao mesmo tempo foi a melhor coisa que me aconteceu. Era uma série onde o ensino médio era só para meninas, e então a escola resolveu abrir [para meninos], e só três meninos se inscreveram, então…

E por quanto tempo a série durou?

C: Nós filmamos oito episódios; eu acho que só seis foram levados ao ar. Mas eu estava morando em Oak Woods, o que é um caminho [a seguir] bem clichê. Eu conheci uns amigos e ganhei uma graninha, e me senti como eu pertencesse ali. E foi uma introdução bem confortável a Los Angeles e estando longe de casa e uma indústria nova.

E você decidiu, em algum ponto, não fazer mais TV e ao invés disso focar em filmes?

C: Eu acho que nos três primeiros anos que estive aqui, eu fiz um piloto todo ano, e todo ano eles não eram escolhidos, graças a Deus. E aí lá em 2001 eu consegui meu primeiro filme, outro queridinho e criticamente aclamado pelo Oscar, chamado Não É Mais Um Besteirol Americano.

Eu amo Não É Mais Um Besteirol Americano!

C: Ah, é um filme muito intelectual. Enfiaram uma banana na minha bunda; é para isso que se treina.

Mas as pessoas se lembram desse filme. Eu tenho certeza que até em talk-shows eles mostram essa cena.

C: Sim, sim, eles lembram. Mas novamente, tudo bem. Eu estou grato por, você sabe, não ter começado com algo enorme com grande sucesso criticamente aclamado. Tem sido bem legal e educacional. E eu acho que essa é uma indústria bem complicada, onde o sucesso pode acontecer rápido e pode te inundar. E eu acho que para navegar de uma maneira saudável nesse negócio, é bom entrar devagar. Eu acho que te ameniza para um tipo de forma mental, e que se vier tudo de uma vez, pode te chocar e talvez você não se adapte tão bem.

Bem, algo que é bem interessante sobre você, é que você não se classificou em um gênero. Se você está em uma categoria, você tenta ir completamente para outra?

C: Se tudo indicar [para eu fazer isso] sim, mas não é por causa do meu jeito de pensar que a indústria me virá ou como eu acho que minha percepção irá definir minha oportunidade. Para mim, tem sido completamente motivado pelo meu apetite criativo. Eu acho que sou um cara muito material e eu acho que a maioria dos artistas – vai soar um pouco pretensioso – são instáveis, e o que me anima em um mês, pode não me animar no próximo. E então para mim se trata genuinamente do que eu estiver com vontade de atuar, e isso geralmente leva a um nível de variedade.

Então, uma das coisas que também é bem interessante para mim sobre você é que, sendo direta, sobre o Capitão América, é que você pegou esse personagem e o fez ficar realmente fascinante. Quero dizer, no papel, não está necessariamente dizendo que ele é certinho. Você conseguiu pegar isso da primeira vez ou foi algo que você sabia que podia incrementar?

C: Bem, essa foi a minha preocupação quando eu primeiramente aceitei o trabalho, sabe, como você faz desse cara que é extremamente altruísta e muito interiorizado e como você faz ele ter esforço e conflito. Como você o torna complexo? Como você o torna interessante? O primeiro filme é interessante porque ele recebe esse presente incrível e você vê um cara que não tinha nada e agora tem tudo, e de repente ele tem todas essas responsabilidades e expectativas enormes. Então tem algumas coisas que nós podemos relacionar, como pessoas. Mas no segundo filme, até mesmo no primeiro filme do Vingadores ou no segundo Capitão América, você sabe que ele cresceu em si, e agora ele já soa mais como uma bússola moral.  Ele opera com autoridade, e é muito fácil, assim de repente, fazer esse cara parecer o pai assustador do seu amigo que você não conhece muito bem mas sabe que ele é um bom sujeito e que é para você não se meter no caminho dele.

Ele também pode ser um virgem.

C: É possível também.

Mas eu amo isso porque ele tem um pouco de medo das garotas.

C: Bem, eu acho que essa é a única coisa que ele ainda não se encontrou. Mas eu acho que fizeram um bom trabalho em fazer ele se importar com as coisas. Sabe, se você mostrar que tem algo que pode tocar o coração dele, se você ver onde ele se emociona, mesmo se for particularmente, você vê ele ser afetado pelo amor de algum tipo, seja no amor de uma mulher ou um amigo ou uma responsabilidade, seja lá o que for. Ele acredita em algo e ama algo e é afetado por isso. E então quando você vê que ele está nesse tipo de dor ou quando ele mostra compaixão, eu acho que é isso que o humaniza e o torna emocionante.

E você estava nervoso, primeiramente, ao aceitar isso?

C: Sim, não é uma franquia ruim para se fazer parte, especialmente se você tiver a Marvel envolvida, porque a Marvel tem algum tipo de fórmula vencedora na manga. Mas sim, eu estava apreensivo. Foi intimidador se comprometer com esse contrato de seis filmes, entende o que quero dizer? E se de repente, como eu disse, se seu apetite criativo te levar em uma direção diferente, ou talvez você não queira mais atuar. Talvez você só queira ir atrás de outra coisa na vida. Você não teria como se dar a esse luxo por causa desse tipo de compromisso. Mas eu acho que esse sou eu fazendo o que a maioria das pessoas faz. Você foca na coisa negativa imediatamente, e você é o único a ver o lado ruim das coisas. E naquela época eu entrei em pânico, e olhando para trás, eu vejo que foi a melhor decisão que eu já tomei. Eu provavelmente não estaria fazendo essa entrevista se eu não tivesse escolhido [o papel do Rogers].

Então me conta mais sobre seu novo filme, Gifted, que será lançado em Outubro.

C: Tem eu, a Octavia Spencer, Jenny Slate e Lindsay Duncan. Tem essa garotinha extremamente talentosa chamada McKenna Grace. É um tipo de filme no estilo de Kramer vs. Kramer. O filme inicia comigo e minha sobrinha. Minha sobrinha é a criança dotada; ela é um prodígio da matemática. A mãe dela, minha irmã, tomou a própria vida há uns anos quando minha sobrinha era menor. E eu a criei com o intuito de mantê-la distante da minha mãe. Minha mãe é uma mulher muito arrogante e que também é um pouco prodígio em matemática e incentivou minha irmã, que era um gênio, com seus limites, e ela cedeu à pressão de sua própria mente. Então por fim, minha mãe nos procura e acaba virando uma luta pela custódia de quem terá o direito de criar essa menina.

Então o que é mais difícil, atuar ao lado de uma criança ou em algo com muita tela verde?

C: Eu diria ao lado de uma criança pois você nunca sabe o que vai ganhar. Pelo menos, com a tela verde você sabe. Pelo menos com a tela verde você pode preencher os brancos. Com uma criança, alguns dias são quentes, alguns dias são frios, embora a McKenna seja muito boa.  Sabe, eu já trabalhei com algumas crianças antes, e você sabe que a McKenna é muito madura. Ela é muito estabilizada e madura. Mas mesmo assim você sabe que os dias serão longos pois as crianças se cansam. Pois é. Você precisa que eles sejam crianças. É isso que torna uma performance tão pura. Se de repente eles são muito ensaiados, muito maduros, soa planejado. Você precisa de uma criança que seja criança, mas que ainda possa ser direcionada. É uma balança bem confusa de se navegar, e você verá a McKenna, ela é muito especial.

 

Tradução: Marina Castro.

Créditos: Chris Evans Brasil.

Glossário

*vírus do cinema: termo comum entre artistas, que simboliza a vontade de querer atuar como se tivesse sido picado por um inseto, e levado ao vírus.

*soft shoe: dança irlandesa que utiliza um tipo diferente de sapatilhas.

*lacrosse: um jogo jogado com uma bola de borracha maciça, de pequena dimensão e um bastão de cabo longo chamado taco de lacrosse.

*episódio piloto: primeiro episódio de uma série, geralmente lançado como teste, se der audiência, gravam os outros, se não a série é cancelada.

deixe o seu comentário!